De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

23
Mar 09

Era uma vez um Sapo que pensava que era um Boi.
E, de facto, o Sapo conseguira inchar de tal modo que enganava qualquer um. Havia animais que morreriam sob tortura, jurando que o Sapo era mesmo um Boi.
A Gata, perdida de amores pelo Sapo que, embora visse um sapo, pois como qualquer felino, tinha uma visão apuradíssima, teimava em acreditar que estava na presença dum boi.
Essa Gata dedicou parte da sua vida e da sua energia vital a cuidar dele. Mas, o Sapo, pensando que era o maior Boi da Quinta, esqueceu-se dela e dos Patitos que prometera cuidar, como dos seus próprios Girinos se tratassem.
E assim se passou algum tempo. A Gata cuidava dos Patitos e do seu adorado Sapo/Boi e todos o veneravam quando lhes retribuía alguma atenção, o que era raro. A sua importância era tal, os seus assuntos tão delicados, que estar com aquela Gata, lhe parecia um desperdício do seu tão requisitado tempo ou atenção. A adoração da Gata começou a esfriar.
Até que um dia, a Gata olhou para o Sapo e já não viu o Boi. Tinha sido enganada pela sua cega adoração. Ainda vou a tempo, pensou, com este sapo não viverei mais.
Assim, agarrou nos Patitos e mudou de Quinta. O Sapo foi fazer queixa dela. Dirigiu-se, indignado e ofendido, à casa do Mocho, animal sábio e capaz de resolver conflitos. Começou a gritar, que injustiça tremenda lhe estavam a fazer, que nunca tal se tinha visto, uma Gata abandonar um Boi.
O Mocho ouviu sereno e, no fim da gritaria, limitou-se a estender a pata e com uma unha furar a pele do Sapo. O silvo do ar a sair lentamente ouviu-se com nitidez e todos puderam ver que afinal aquele Sapo era mesmo um sapo.

publicado às 00:01

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