De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

06
Abr 09

Bom, era a sua primeira saída sozinha. Sozinha-Sozinha. Não aquele Sozinha-Mas Com Companhia Masculina Mas Que Não Pode Dizer a Ninguém. Na sua mente, esta ideia de fazer uma pequena incursão nas viagens solitárias marinava já há algum tempo. Tratava-se, parecia-lhe, de uma espécie de prova pessoal que tinha que ultrapassar, mais uns limites a testar, uma barreira a derrubar.

Surgindo a oportunidade agora, decidiu agarrá-la com unhas e dentes: Escolheu o destino e o itinerário; decidiu onde pernoitar; magicou no que fará nas alturas em que não estará em cima da sua mota.

Hoje, na véspera da saída, acordou com umas borboletas na barriga: Medo. Ela está com medo da viagem. Tenta racionalizá-lo. Procura nas suas memórias as viagens que fez sem companhia adulta: uns dias no Algarve com a sua sobrinha de catorze anitos, no Verão de 2000 (esta memória abre-lhe um sorriso rasgado, pois foi nessa altura que a sua sobrinha bebeu pela primeira vez uma bebida alcóolica, ficou com as pernas bambas, uma alegria inexplicável e uma vontade de rir descontrolada), as duas viagens à Serra da Estrela com os seus filhos, com a intenção declarada de esquiar (a primeira gorada nessa intenção, mas valendo a pena pela neve intensa que caía e pela alegria espelhada no rosto dos filhos e de si própria) e …

Não viajou sozinha mais nenhuma vez…

Por isso, não pode ter medo desta vez: Preparou o pijama, a muda de roupa, o Moleskine onde vai escrever ou desenhar o que lhe for na alma, a máquina fotográfica, um pequeno farnel, verificou a mota e tranquilizou-se.

Jantou com a família e foi dormir.

De manhã, à hora prevista, levantou-se, preparou-se, ligou o GPS, marcou a rota e lá foi ela, montada na mota, em mais uma aventura da sua vida.

publicado às 00:01

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