De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

08
Abr 09

A subida do elevador já ia em três horas. Roger debruçou-se ligeiramente, encostando a testa ao vidro virado para o interior do cilindro gigantesco. Nunca tinha subido tão alto. Estava tão próximo do topo, que o vidro a que estava encostado começou lentamente a tornar-se mais escuro, protegendo os seus olhos da proximidade da luz branca e artificial que sempre iluminou o seu mundo e a sua vida.
Sentiu pela primeira vez algo que presumiu serem "vertigens". Não gostou da sensação, e preferiu olhar para o outro lado do elevador de vidro. Do outro lado, estava a paisagem desolada do mundo exterior ao cilindro onde toda a vida vivera, com quase todos os luxos que podia imaginar.
Ao longe, viu a parte superior de mais cidades verticais erguendo-se acima do horizonte, perdendo-se nas nuvens. Entre elas e o "seu" cilindro, apenas terreno desolado. E a luz do dia.
Subitamente, o elevador parou. A porta não se abriu. Roger colocou a máscara de oxigénio, e introduziu no painel da porta o código que comprara ilegalmente, e a porta abriu-se para um corredor longo e deserto. No final do corredor, encontrou uma escada metálica, e no topo dela outra porta, que também respondeu ao código.
A porta fechou-se atrás de si. Roger estava fora do cilindro. Ou melhor, estava no topo dele, num enorme disco plano que se estendia por quilómetros.
Tentou olhar para o Sol, mas a luz era forte demais. Despiu a camisola, e deitou-se, deixando o calor do Sol acariciar-lhe a pele pela primeira vez.
Algum tempo depois, ergueu-se, e relutantemente, voltou a entrar. O período seguro de exposição não filtrada era reduzido, e não sabia se já o tinha excedido.
Mas tinha esperado toda a vida para sentir o Sol na pele. Mesmo que lhe custasse a vida, tinha valido a pena.

publicado às 00:10
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