De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

20
Abr 09

Ela pensa que eu não sou inteligente. Eu sei. Ela diz isso muitas vezes. Eu finjo que não percebo, mas dói. Dói muito. Uma das vezes, ela disse isso ao médico, que olhou para mim e se apercebeu logo que ela me tinha magoado e lhe disse: ”Oh, não é nada. Isso é o que a senhora pensa, mas está enganada!” e piscou-me o olho sem ela ver.

Eu adoro-a na mesma. Adoro-a mesmo. Amo-a mais que a minha própria vida. Era capaz de morrer por ela. Sem pensar duas vezes. Ela é a minha Adorada!

Ontem, eles deixaram-me sozinha a dormir e foram divertir-se sozinhos. Fiquei triste mas já estou habituada. Os primeiros a chegar foram os miúdos. Entraram e foram para os quartos dormir, não vieram dizer-me olá, nem me desejar Boa Noite. Mais uma vez, o hábito é quase uma segunda pele.

Mais tarde, ouvi o portão a abrir e Ela a rir. Enfim chegava a casa. Subiu as escadas a rir, abriu a porta da cozinha onde eu a esperava ansiosa, baixou-se para me cumprimentar e caiu, estatelada no chão. Caiu e não se levantou. Vomitou e ficou deitada com a cara em cima do vomitado. Eu chamei-a. Abanei-a. E nada. Ela não respondia e não se mexia. Entrei em pânico: a minha Adorada não estava bem, podia morrer ali se eu não agisse.

Desatei a ladrar o mais alto que pude. Ladrei, ladrei, ladrei. Arranhei a porta. Voltei a ladrar. Ladrei mais uma vez, e outra, e outra ainda. Até que apareceu a Senhora Mais Velha, a mãe da minha Adorada. Que chamou o Senhor Mais Velho. E os dois trataram da filha. Levantaram-na do chão e deitaram-na na cama com cuidado e chamaram a médica. A minha Adorada não ia morrer.

Então, voltei a adormecer tranquila.

publicado às 10:59

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