De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

24
Abr 09

Recebi um telefonema de uma ex-namorada a meio da noite. Já não sabia nada dela desde que se casou e teve a primeira filha. Chorava desalmadamente, a sua filha tinha tentado o suicídio e achava que eu a podia ajudar. Sei lá porquê, algumas pessoas acham que eu tenho o poder de ajudar a regeneração das pessoas. Disse umas quantas palavras de conforto e reforcei que ela devia descansar, marquei tomarmos o pequeno-almoço em conjunto no dia seguinte. Desliguei com a sensação que era um assunto sério.

 

Foi um encontro interessante, no mínimo. Estava tão nervoso como no dia em que acabamos o nosso namoro uns 16 anos antes. Não entramos em pormenores sobre o tempo em que não estivemos juntos, ela falou-me logo da sua filha Joana.

 

Quando conheci a Joana, ela estava extremamente revoltada com a minha presença. Foi rude e não me deu qualquer conversa. Ficamos os dois sozinhos numa esplanada no Príncipe Real, totalmente calados. No encontro seguinte fizemos em silêncio uma caminhada. O terceiro encontro deu-se no jardim zoológico e a Joana começou a fazer comentários do que se passava à nossa volta, como se eu não estivesse lá. Aos poucos partilhou o mundo dela comigo e eu fiz o mesmo. Falamos durante imensos encontros e aos poucos foi-se apresentando mais participativa na sua própria vida. Fez as pazes com a mãe e com ela mesma.

 

Numa noite de Novembro, visitei-as. A Joana tinha coisas para fazer para a escola e mal olhou para mim, mas a mãe dela olhou para mim com os olhos brilhantes e disse-me:

- Sempre achei que eras o Homem certo. Obrigado por tudo.

 

Olhei pela porta do quarto da Joana e vi-a já estava a dormir. Passei só para dizer adeus, mas deixo-a a dormir. Quando sou preciso apareço, faço o que tenho a fazer e desapareço quando deixo de ser preciso

publicado às 00:01
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