De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Abr 09

“Se não estás bem em Portugal, porque não voltas para Angola?”, pensou ela exasperada, farta de ouvir as queixas daquela aluna: todos se reuniam num complô contra ela, que ninguém a ajuda, grande injustiça, há emigrantes em todo o mundo e ela, como emigrante merece todo o respeito e ninguém lho mostra, em Angola todos respeitam os portugueses só aqui ninguém quer saber dela.

“O facto de comeres três refeições dadas pela Escola não interessa…”, outro pensamento perverso cruza a mente da professora.

Ela não merecera o dois que a professora lhe dera, ela que passava tudo do quadro, não era como aqueles colegas que dormiam na aula.

“Quem me dera que dormisses, nem que fosse um bocadinho”, pensou a professora, triste, tão negra por dentro como a cor da pele daquela aluna.

E o rol das queixas dela continuava. A professora tinha-lhe ódio e raiva, já tinha desabafado com uma amiga, que partilhava da sua opinião: a professora é racista. E ir para a rua?, ela ir para a rua?, que injustiça, ela compreendia o professor de Biologia que a tinha posto na rua, porque ela tinha-se enervado e tinha batido com uma cadeira na mesa, mas na aula de Matemática? Apenas tinha levantado a voz à professora, então, onde se vira, um professor mandar calar um aluno?, onde se vira um professor gritar a uma aluna: Cala-te!, ainda por cima a ela, não tem nada que mostrar respeito, quando a professora a tinha desrespeitado primeiro.

“Bolas para isto, que esta miúda não entende nada… É preta, mas os outros dois foram dados a brancos, a outra preta da turma teve 4, o aluno que mais vezes foi para a rua é branco… Sou casada com um preto. Agora sou despedida porque sou racista?”

Todos concordaram com a aluna e a professora, sem defesa, foi despedida.

publicado às 00:01

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