De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

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Mai 09

Uma família feliz completamente comum vivia alegremente numa casa bonita de se ver. Os cortinados da janela da sala davam directamente para a rua e eram lavados de 15 em 15 dias, tal como o tapete de entrada e o sofá da sala-de-estar. Às sextas-feiras era o dia das limpezas gerais e o som do aspirador nesse dia era a única banda sonora da casa. A hora de jantar marcada era às 20h, coincidia com a do Telejornal, forma de toda a família ficar informada do que se passava no mundo.

Aos fins-de-semana ocorriam eventos familiares como conviver com um primo afastado que ninguém gostava ou ir ao hospital uma tia-avó que de 3 em 3 meses ficava às “portas da morte”. Uma família feliz que via todos os horrores a acontecer no mundo (principalmente às 20h) e que seguia a sua vidinha (para quê arranjar chatices?).

Um dia o filho mais velho apresentou a namorada à família, a Soraia. Gostaram imenso dela, muito educada e bonita. Descendente de uma família infeliz, onde os pais tinham apenas como objectivo viver novas experiências e estavam sempre a viajar. Até deixaram a filha em casa da Avó para irem viajar para o Canadá. Isto era muito estranho para a família feliz. Um dia num almoço de fim-de-semana a Soraia comentou “Apetecia-me mesmo um cigarro”. O ambiente ficou diferente. No dia seguinte, e após conferência com os pais, o filho mais velho decidiu terminar o namoro.

Um dia a vizinha perguntou, “O que se passou com aquela jovem simpática?”. Após um curto silêncio, a mãe dele confessou “Olhe uma desilusão, fumava, saía com rapazes para beber café e tinha uma daquelas famílias esquisitas. Felizmente o nosso rapaz está a sair com uma rapariga de boas famílias e catequista”. Toda a paz familiar se manteve e puderam continuar com a velha rotina.

publicado às 00:01
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