De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

13
Mai 09

Há certas músicas que não consigo ouvir, por mais que goste delas. Uma delas é a minha música favorita.
Lembro-me de me ter apaixonado pela primeira vez quando era ainda adolescente. Ela era a minha melhor amiga, e também a única. Um dia, beijei-a. Ela riu-se, pensou que eu estava a brincar. Disse-lhe que não, que a amava. Fui tão melodramático quanto é suposto ser naquela idade. Ela pediu-me desculpa, disse que não sentia o mesmo por mim. E não voltou a falar no assunto. Depois disso, não voltei a conseguir olhá-la nos olhos sem sentir o meu coração partir-se. Afastámo-nos rapidamente. Ainda hoje não sei o que é feito dela.
Anos mais tarde, apaixonei-me novamente. Fui correspondido, desta vez. E durante alguns, poucos, meses, fomos felizes. Eventualmente, ela disse-me que me amava, sim. Mas amava mais outro homem. Pediu-me para continuarmos amigos. Não consegui.
Ainda hoje pensei em telefonar à mulher que amo, mas não o fiz. Já me chegou ter que aguentar a raiva dela da última vez que falámos. Mas eu tinha que lhe dizer o que disse. Ela está prestes a cometer a maior asneira da vida dela, e tive que lho dizer. Ela sentiu-se magoada, traída. Esperava o meu apoio, como sempre, e não o teve.
Não sei se teria feito o mesmo se não a amasse. Provavelmente tê-la-ia deixado cometer as asneiras que quisesse, mesmo estando preocupado. Acharia que ela teria que aprender por conta própria. Mas como as coisas são, tive que lho dizer, mesmo sabendo que isso garante que nunca lhe direi o que sinto por ela. Mesmo sabendo que ela nunca vai sentir o mesmo por mim.
A minha música favorita acaba de passar na rádio. E por tudo isto, e muito mais, não consigo deixar de chorar.
Love will tear us apart, indeed…

publicado às 00:01
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