De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

05
Jun 09

Cinco andares de má vizinhança, por cada andar duas habitações, um elevador com a possibilidade de levar quatro pessoas de cada vez e 2 administradores (residentes com chatices especiais).
Um prédio com 50 anos em plena cidade de Lisboa. Em tempos um pacífico espaço para residir, hoje uma aberração arquitectónica de betão e humidade mesmo no centro de diversos problemas sociais. A Telma ficou a viver na casa dos pais, eles optaram para ir para um local mais calmo. Ter uma casa em Lisboa é bom, apesar da confusão.
A Telma e o seu gato Espinhas ocuparam todo o território do apartamento e durante uns dias tiveram uma boa vida. A primeira festa que a Telma tentou organizar começou com um simples jantar, estavam todos a conversar até a campainha os interromper. Era um polícia com 1,90m e cara de mau. Apontou para o relógio, exibiu o mostrador, 21h15:
- Uma vizinha queixou-se dos vossos desacatos fora de horas.
A Telma justificou:
- Mas ainda é cedo.
- Já foi avisada.
A festa ficou mais silenciosa mas acataram as regras.
Ao 10º dia esqueceu-se de fechar correctamente a porta do elevador e a velha Berta, do 3º andar esquerdo (a que tinha a mania de estar sempre a medir a tensão), chamou-a de todos os nomes insultuosos que se lembrou.
Ao 13º Dia o Espinhas apareceu assassinado com um aparelho de medir a tensão em redor do seu pescoço. Telma desceu as escadas, carregada de emoção, pronta a agredir a velha Berta. Assim que a hipócrita abriu a porta, deixou as suas mãos esmurrarem os dentes podres da Velha. O que não contava é que estivessem lá mais vizinhos à sua espera. Parecia uma batalha perdida, mas a Telma tinha consigo uma serra eléctrica e ajudou a melhorar a vizinhança. Com o seu jeito para esconder corpos, aquele evento nunca foi uma manchete de jornal.

publicado às 00:01
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