De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

08
Jun 09

Sem mais nada do que fazer para ocupar os seus serões, costumava conversar on-line, através do MSN. Aceitava sem preocupações as pessoas que se propunham para amigas, independentemente do género. Foi tomar café com alguns. Poucas (e ainda menos, poucos) ficaram amigas.
Mas qualquer coisa nela acordou ao conversar horas infindas com aquele homem cinquentão, solitário embora casado. Talvez tenha sido o seu instinto maternal, se isso existe, tantas vezes duvidou. Talvez tenha apenas sido compaixão.
E das conversas banais do início passaram a ter tórridos fins de serão tão afastados na distância, mas tão perto num click do teclado ou do rato…
Ele queixava-se da esposa e ela que tanta vez ouvira essas mesmas queixas noutros homens e não acreditara, achava-as, tão plausíveis, nele. Estava farta de casos fortuitos e de relações frustradas e, inexplicavelmente, nele, isso parecia-lhe impossível de acontecer: tinha a certeza que se iriam fundir num só.
Contra os seus princípios fora com ele. Primeiro um Café. Depois uma Sala, um leitor de CD, uma bela banda sonora. Dançara para ele. Conseguira sentir a chama do desejo dele queimar-lhe a pele, sentira a carícia do olhar dele nas suas mamas. Ele puxou-a para o quarto e ela deixou-se ir.
Sentiu o desejo dele crescer ao seu toque. Sentiu o seu tremor na sua boca. Viu-se no olhar dele. Sentiu-se no toque dele. Suplicou-lhe que se fundissem.
Ela viu-lhe o desejo descontrolado no modo em que ele colocava o preservativo e sentiu na barriga o calor da frustração do orgasmo mais intenso que alguma vez tinha visto um homem ter.
Sorriu para ele e assegurou-lhe que na próxima iria tudo correr bem, limparam-se e dormiram enroscados, tentando não pensar em quão injusta a vida às vezes pode ser.

publicado às 00:01

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