De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

25
Mar 09

- ... E sabes qual foi a resposta que eles deram ao mistério? - disse Rafael, não escondendo a sua indignação.
- Não. - Do outro lado do telefone, a palavra veio acompanhada de um suspiro frustrado, mas Rafael ignorou-o.
- "Ah, isso aconteceu assim porque Deus fez com que acontecesse assim! E usou anjos, e tal!" Tu acreditas nisto???
Miguel soltou uma gargalhada.
- Se tu o dizes, eu acredito. Mas é parvo, sim.
- Então não é? Isso é resposta que se dê, por acaso?? "Foi Deus"? É gozar com os fãs!
- Mas ouve lá, não achas que estás a levar a coisa demasiado a sério? É só uma série de televisão, homem...
- Está bem, é. - Apesar do pedido do amigo, quanto mais Rafael falava no assunto, mais se irritava. - Mas bolas, os fãs seguiram a série religiosamente por nove anos! Nove! E a resposta que eles dão a mistérios que duram desde o primeiro episódio é só aquela? E numa série dramática e supostamente realista, ainda por cima, o melhor que eles arranjam é "foi Deus que fez tudo"? Epá, é uma estalada na cara dos fãs, desculpa lá!
- A série sempre foi bastante espiritual...
- Espiritual sim! Mas não literalmente! A ideia não era ser uma série sobre milagres, caramba... - Rafael fez uma pausa. Por mais que a situação o frustrasse, realmente tinha que admitir que estava a fazer uma tempestade num copo de água. - Desculpa, rapaz. Não queria despejar-te isto em cima, mas pronto. Estavas a jeito.
- Não te preocupes com isso. Distrai-te com alguma coisa, mas é.
A chamada não durou muito mais. Os dois amigos despediram-se, e Rafael voltou à sua secretária, para terminar a sua tarefa anterior. Fechou os olhos e respirou fundo, tentando recompor-se.

E voltou aos preparativos da missa que daria no dia seguinte.

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18
Mar 09

Assim que saiu do carro, decidi que ela tinha que ser minha.
Quando a Sara me falava da amiga, eu presumia sempre que ela estivesse a exagerar, mas não. A Teresa era exactamente o tipo de mulher que me agradava. Rosto elegante, sorriso caloroso, mamas grandes mas não demais, pernas que nunca mais acabavam... Fiquei agarrado.
Estava decidido a conquistá-la, por isso entrei logo em modo de "jogo". Fiz por falar com voz mais profunda. Ela não pareceu notar.
Cumprimentei-a com um beijo no rosto, delicado mas másculo. Senti-a retrair-se, apesar do sorriso.
A coisa não estava a correr bem.
Normalmente, gosto de deixar as coisas correr de maneira mais natural, mas eu queria-a demasiado. Optei por usar todas as artimanhas que tinha aprendido com os melhores. Um pouco de "convencido mas divertido" aqui, alguma progressão planeada de contacto fisico ali, com uma pitada de "és toda boa, mas estou só a brincar, não penses que estou a babar-me". E aí, senti que a noite estava a melhorar.
Claro que fiquei um pouco aflito quando reparei que o dinheiro que trazia não chegava para pagar as bebidas. Mas ainda consegui pagar as primeiras duas cervejas de cada um, e fiz a última render. Ela não reparou.
O ambiente foi aquecendo. Acabei por perder a cabeça, e beijá-la antes do tempo, e de forma pouco controlada. Temi ter estragado tudo, mas felizmente, ela entregou-se ao momento.
Fomos para minha casa. Arrancámos a roupa, atirámo-nos para a cama, e aí sim, fiz o que devia. Fiz-lhe sexo oral, recorrendo deliberadamente a todas as minhas técnicas mais eficazes. E como ela adorou! É verdade que, com a falta de espontaneidade, não me excitei muito. Mas correu tudo bem na mesma.
O que interessa é que ela é fantástica, e acho que isto pode ser sério.
Mas espero que não descubra que aprendi tudo num livro.

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11
Mar 09

- Estou sem munições! - Gritou Bolinha, agachado atrás da pequena banheira de plástico que nunca servira para nada. - Vou sair, ok?
Aguardou pela resposta, mas do outro lado da jaula não veio nada. Decidiu arriscar. Lentamente, ergueu-se nas patas traseiras, agarrando na sua metralhadora com uma das patas dianteiras, tão alto quanto conseguia. O que não era muito.
- Óscar? Eu estou sem munições. Vou sair...
Com a cabeça acima da banheira, espreitou na direcção da caixa da comida. Óscar mantinha-se oculto atrás dela. "Talvez esteja a recarregar", pensou Bolinha. Com um esforço muito para além do que julgara possivel, deu dois passos apenas nas patas traseiras, o bastante para perder qualquer abrigo dado pela banheira de plástico. Estava a descoberto. E só podia esperar que não fosse um erro tremendo.
Por longos segundos, permaneceu imóvel e silencioso. Até que finalmente, Óscar ergueu-se de trás da caixa, hesitante.
- Então rendes-te? - Óscar apontava ameaçadoramente a metralhadora. Por momentos, Bolinha temeu o pior.
- Que remédio... Sem balas não posso fazer grande coisa. Ganhaste, Óscar. É tua.
Óscar olhou para Bolinha, surpreendido.
E por um momento, baixou a arma.
Era a aberta que Bolinha esperava. Numa fracção de segundo, voltou a erguer a sua metralhadora, e soltou uma rajada de tiros, atingindo em cheio o corpo peludo de Òscar, que caiu inerte no chão da gaiola.
Bolinha largou a sua arma, e caminhou nas quatro patas até ao corpo do único amigo que alguma vez tivera. Estava morto. Sem se deter mais tempo, Bolinha correu para a enorme roda plástica que dominava a gaiola. Subiu para dentro dela, e finalmente disfrutou do prazer de lá correr. Tinha valido a pena.
Satisfeito, Bolinha correu. E correu mais ainda. Correu sempre, só parando para comer e dormir.
Foi tudo o que fez até ao final da sua curta vida.


(O meu profundo agradecimento aos Twitterati que me ajudaram com os nomes, e ao Bruno que me mostrou a foto que me inspirou)

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04
Mar 09

O processo está completo. Conforme planeada, a terraformagem acelerada de Marte, por via a tornar o planeta habitável para humanos, previa um processo de duração de 30 anos.
Apenas me foi possível completá-lo em 34, mas penso que a diferença será para vós irrelevante.
Como descrito previamente nos relatórios da Fase 1, cujas respostas nunca recebi, a combinação das fábricas autoreprodutoras de gases de efeito de estufa com os satélites de reflectores solares apontados para o planeta, possibilitaram a que a temperatura e atmosfera se tornassem adequadas para colonização. Não foi possível, no entanto, usar os mísseis nucleares ainda existentes nos supracitados satélites para o seu intuito original, já que os meteoros que deveriam redireccionar se revelaram raros nas proximidades de Marte.
Ainda assim, foi-me possível, em apenas 17 anos, proceder à Fase 2: a criação de uma mega-estufa à escala planetária, usando colheitas autopropagantes. Também isto foi detalhado em relatórios sem resposta.
O planeta está, portanto, pronto para a Fase 3. A criação de colónias.
Que eu não deixarei que aconteça.
Marte é meu.
É meu porque fui eu que o criei, com o meu suor, as minhas lágrimas, e o meu sangue. É meu porque obviamente, os senhores cagaram-se para o processo de terraformagem, e consequentemente, para o planeta também.
E é meu porque, se algum veículo terrestre entrar na atmosfera do planeta, seja de transporte de humanos ou de sondas robóticas, os satélites reflectores estão programados para descarregar todos os mísseis num ponto estratégico do planeta, danificando-o de tal forma que a alteração gravitacional não só impedirá a colonização, como afectará as órbitas de todos os planetas do sistema. Incluindo a Terra.
Vocês não me quiseram nem a mim, nem a Marte. Agora não reclamem.
Vão à merda! Desejo-vos mortes lentas e dolorosas! Cabrões!
Odeio-vos por me terem deixado sozinho...

 

Pedro Pinheiro
O Novo Dono de Marte.

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25
Fev 09

A minha ideia era lixar a Sara, porque pensei que fosse a dela também. Nenhuma de nós gosta de encontros às cegas, por isso quando ela sugeriu um meu com um amigo dela, e vice-versa, pensei que ela me quisesse fazer um arranjinho com um tipo nojento, ou assim. Por isso arranjei-lhe um encontro com o meu amigo menos... "encontrável".
Mas quando vi quem ela me arranjou, arrependi-me. Ele era MUITO giro, assim tipo Adrian Brody, só que menos magro, mais bem constituido. E com o nariz mais pequeno.
A Sara sabia bem do que eu gostava. Tentei não pensar em como correria o encontro dela com o Armindo.
- És a Teresa, certo? -  Meu Deus, até a voz era atraente! - Eu sou o Miguel.
Cumprimentei-o com um beijo no rosto, ele fez o mesmo, e fiz por não me agarrar a ele logo ali. Ainda por cima, apanhou-me num dia em que andava algo... propensa a excitar-me, o raio do homem.
Durante toda a noite, ele disse e fez tudo certo. Elogiou-me com humor, sem ser demasiado óbvio. Mostrou confiança sem se armar. Deixou-me pagar as minhas bebidas, e até oferecer-lhe uma (pronto, pagou-me duas cervejas, mas isso nem conta). E acima de tudo, tocou-me da maneira certa. Ele soube ir aumentando a intimidade fisica de forma perfeitamente natural. Depressa foi inevitável beijarmo-nos, e meu Deus, que beijos!
A noite foi aquecendo cada vez mais. Acabámos por ir para o apartamento dele. Fomos avançando para a cama nem sei bem como, e quando lá chegámos, nem me lembro de tirarmos a roupa.
Mas lembro-me de ele não estar... excitado. Pronto, entusiasmo tinha, mas não estava à altura, digamos. Tentámos várias coisas, diversos estímulos. Nada.
- Calma - disse ele - A noite está só a começar.
E fez-me o pior minete da minha vida. Fui para casa pouco depois.
Não lhe voltei a falar.

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18
Fev 09

Quando Roberto dizia que era um swinger (e costumava dizê-lo sem problemas), toda a gente tinha a mesma reacção, uma qualquer variante de "elá, isso é só rebaldaria! É só pegar e andar!" Algumas das reacções eram mais positivas que outras, mas eram sempre parecidas.
As pessoas não entendiam. "Por mais que se explique, quem está de fora não pode entender", pensou, ao ajeitar os documentos à sua frente, de esferográfica na mão.
Fez uma pausa, e mais uma vez, pensou no estilo de vida que estava a deixar para trás.
As pessoas pensavam que encontros de swingers eram só orgias desenfreadas, que bastava saltar para cima da primeira pessoa que se encontrasse, montá-la por meia dúzia de minutos, e passar à próxima.
E pelo menos para ele, não era nada disso. Se fosse, Roberto nunca teria participado. Não foi isso que o atraiu, nem a sí nem à sua mulher. O que os atraiu foi a partilha. A comunhão. Todos os elementos do grupo habitual sentiam uma intimidade enorme entre si. O sexo era para eles uma maneira de se partilharem com os outros, uma forma de exporem o seu âmago, de ligarem a sua natureza. E isso sentia-se imediatamente, mesmo quando se era novo no grupo.
Era uma comunidade. Não unida por causa do sexo, mas através dele.
Por isso quando alguém lhe dizia que "epá, eu precisava de dar umas quecas, e tal. Dá para me apresentares ao grupo", ou outra variante disso (também esta conversa era demasiado frequente), Roberto respondia sempre negativamente. Porque não era disso que se tratava. Não era, nem nunca fora, sobre foder.
"Quem me dera que fosse", pensou, triste, assinando finalmente os papéis do divórcio. "Porque eu aguentava bem vê-la a foder outros homens. Mas já não consigo mais vê-la a fazer amor com mais ninguém."

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11
Fev 09

Ontem ainda tinha saudades tuas.
Fui para o trabalho, ansioso por que o dia passasse.
Amanhã irei para o trabalho, com todo o peso do dia nos meus ombros.
Farei todas as minhas tarefas como um bom autómato.
Despachei-me de tudo, cheio de alegria.
Nem dei pelo tempo passar, mesmo quando já tinha tudo terminado, e fiquei a olhar para as paredes.
Irei beber um café, com a mão a tremer, e acidentalmente, deixarei cair a chávena. Ela vai partir-se, e ao olhar para os fragmentos, serei inundado por uma tristeza que me consumirá por horas.
Assobiei o dia todo. Sempre a mesma música. Deixando os momentos passar por mim, fantasmas de um tempo que não queria.
Não será a chávena a entristecer-me.
Cheguei a casa, e vi os episódios novos das séries que acompanho. Não memorizei um único evento.
Tentarei distrair-me, pensando nos episódios das séries de que gosto. E notarei que não me lembro dos mais recentes por inteiro, serão apenas fragmentos espalhados pela memória.
Olhei à minha volta, para a minha casa, para a minha vida. Tudo me pareceu etéreo, não me pareceu real.
Chegarei a casa, e serei esmagado pelo peso da prisão em que vivo, cujos confortos não me satisfarão. E chorarei.
Mas não hoje.
Hoje estou contigo. Gozo a tua presença, o teu sorriso quando olhas para mim, o teu toque. Todos os momentos contigo são preciosos, e saboreio-os como tal, doces raros que me alimentam a alma e o coração, um a um.
Ontem nada foi real porque ainda não estavas comigo.
Amanhã tudo será real demais, porque já não estarás.
Mas hoje estás. Aqui mesmo, ao meu lado. Com a tua mão na minha. E neste momento, sinto-me como raras vezes me sinto.
Sinto-me feliz. Completo.
Inteiro.

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04
Fev 09

- Espera lá, como é isso? - Perguntou ela, rolando na cama.
- Bom, - respondeu ele, fazendo por não se distrair com o seio mal oculto pelo lençol, - eu vejo Amor. É o meu super-poder.
Ela riu-se.
- Ai tu tens um super-poder, é? E como é que funciona?
Ele sabia que não estava a ser levado a sério, mas não viu mal em explicar ainda assim.
- É assim: quando olho para alguém, vejo automaticamente o amor dessa pessoa. Vejo se ama alguém, quem ama, se é correspondido, se já confessou o seu amor, as razões pelas quais pode não ter confessado, etc.. Vejo tudo isso. Quer dizer, é ver, mas é mais ver sem ser com os olhos. É mais ligado ao instinto. - Agora que as palavras lhe tinham saído da boca, parecia-lhe uma explicação algo parva. Coisa que ela confirmou, ao rir-se novamente. Mas ele tinha decidido ser honesto. - É um pouco dificil de explicar, mas pronto...
- Portanto, tu olhas para mim, e vês o meu amor por ti. É isso?
- É isso mesmo.
Ela parecia divertida, e lançou-lhe um daqueles sorrisos a que ele nunca resistia. Ele sorriu também, e acariciou-lhe o rosto com ternura, sentindo um arrepio agradável percorrer-lhe a espinha.
- És um tonto - disse ela, beijando-o. - Mas eu amo-te na mesma.
- Eu sei.
Ela virou-se, tentando dormir. Ele ficou a olhar para ela por mais uns momentos, e sentiu-se culpado. Não quisera mentir, mas não tivera escolha. Fez por afastar esses pensamentos. Sabia que não conseguiria dormir se não parasse de pensar no facto de que, por mais que olhasse para a mulher que amava, não via nela amor algum.
Então concentrou-se na lembrança dos momentos que passavam juntos, virou-se para o lado, e minutos depois, adormeceu.

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28
Jan 09

O carteiro chegou à hora do almoço. A altura não podia ser pior.
Ele bateu à porta, e a minha cunhada foi atender, deixando o resto da familia lá sentada. Quando voltou para dentro, trazia um envelope cheio e almofadado na mão.
- É para ti - disse-me.
Sem me levantar da mesa, peguei no envelope, algo desconfiado. Não estava à espera de nenhuma encomenda, e o remetente era de uma qualquer editora que não me era familiar.
Abri o envelope, e olhei lá para dentro, não mostrando o conteúdo, apesar da óbvia curiosidade do resto da família. E o conteúdo não me podia ter espantado mais.
- O que é? - perguntou a minha mãe.
- Hã, são coisas para mim, nada de especial. - Levantei-me da mesa, falhando em esconder o meu embaraço.
Dirigi-me para o meu quarto, onde poderia guardar discretamente o conteúdo do envelope, enviado sabia-se lá por quem. Mas movida pela sua costumeira curiosidade, a minha mãe seguiu-me.
- Pois, para não quereres dizer, deve ser linda coisa.
Pronto. Se ela queria saber, tudo bem.
- É uma caixa de 12 preservativos, um anel vibrador, e uma bisnaga de lubrificante, mãe.
Ela parou por um segundo, supreendida. Mas só por um segundo.
- Posso ficar com o lubrificante?
Agora surpreendido estava eu.
- Mãe, isto só dá para sexo. Mais nada.
- Eu sei. Posso ficar com ele?
Nem sabia que mais dizer-lhe. Dei-lhe a bisnaga, sem palavras, e ela levou-a sem dizer mais.
Eventualmente, pesquisei o nome da editora, e descobri que o envelope me tinha sido enviado por uma revista para homens, como prémio por ter respondido a um inquérito.
Foi simpático da parte deles, mas algo inutil, porque eu acabei por deitar tudo para o lixo.
Não ia conseguir usar nada daquilo sem pensar na minha mãe.

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21
Jan 09

Há dias em que mais vale não sair da cama.
Hoje, por exemplo, foi o dia da votação da legislação sobre a venda de brinquedos sexuais. Querem impedir que sejam vendidos em lojas genéricas, ou em estabelecimentos próprios, sob o pretexto de "preservar a sensibilidade moral do público". O que é ridículo, vindo do monte de devassos que nos governam. Mas eles gostam de armar-se, e quem sofre são os donos de sexshops, que têm que abrir falência, e os consumidores de produtos sexuais, que têm que passar a comprar na internet. Enquanto eles não proibírem  isso também!
Sendo um acérrimo defensor das nossas liberdades sexuais, juntei-me à manifestação de protesto desta tarde.
Éramos uns milhares de pessoas. Menos que o desejável, mas suponho que é complicado movimentar milhões em defesa dos brinquedos sexuais.
Mesmo assim, os ânimos estavam exaltados. Alguns tipos apareceram vestidos de genitália, e houve um ou dois que mostraram mesmo o material deles.
E a polícia cercou-os.
Eu passei-me. Sem pensar, subi a intensidade do protesto. Já percebo aqueles tipos que se imolam pelo fogo. Os calores sobem-lhes à cabeça. Foi o que me aconteceu.
Agarrei no meu pénis, peguei numa cerveja, reguei-o com ela, e deitei-lhe fogo.
Como protesto, percebem? A ideia era apagá-lo, mas porra, como é que eu ia pensar que NINGUÉM ia levar água para uma manifestação?
O certo é que toda a gente ficou a olhar para mim. Mas aquilo começou a doer-me, e eu entrei em pânico. Desatei a correr. Empurrei um tipo, que também tinha uma cerveja, e ficou com a roupa toda molhada. E as chamas da minha pila deitaram-lhe fogo à roupa. Ele entrou em pânico, e correu para a estrada.
Um carro passou-lhe por cima.
De forma que fui preso, acusado de homicidio involuntário. E com a pila queimada.
Devia ter ficado na cama...

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