De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

13
Fev 09

   O Atirador estava sentado no topo de um dos vários prédios de escritórios que marcavam aquela zona da capital. Fazia-se acompanhado de uma espingarda de longo alcance Van Dyke com silenciador e balas KTW capazes de perfurar armaduras.

   Esperava por um eminente homem de negócios, o seu Alvo. Este chega ao escritório às nove da manhã depois de tomar um frugal pequeno-almoço em casa, torradas com manteiga, café e sumo de laranja natural. Conduz sempre o seu Audi S8 Phanton Black. Almoça no Beach Blanket Babylon ou no Momo quando tem companhia, e ele tem sempre companhia. À tarde joga squash no City Point Club. Ganha sempre. Janta no Athenaeum Hotel quando acompanhado por uma das amantes, onde tem uma suite sempre à sua disposição. Fuma cigarrilhas Sobranie Black Russian, ricas, aromáticas e suaves e para relaxar bebe vodka.

   O Atirador estudou-lhe a rotina até esta se tornar sua. Tomou o mesmo pequeno-almoço. Comeu nos mesmos restaurantes. Desejou as mesmas mulheres. Fumou as mesmas cigarrilhas e bebeu da mesma vodka. Aprendeu a pensar como o Alvo, a sentir e agir como ele. O Atirador tornou-se no Alvo.

   À hora prevista, o Alvo sai do hotel onde jantara acompanhado pela amante nº 2. O Audi S8 já está à sua espera na estrada. Caminha com a calma e confiança que o caracterizam. O Atirador olha-o pela mira da espingarda, aponta-a e dispara. O cartucho vazio bate no chão cimentado e ressalta. O Alvo continua a andar, como se nada fosse. O Atirador reajusta a mira e dispara mais duas vezes. Nada! O Alvo entra no carro e arranca.

   

O Atirador fica-se sentado, perplexo. Sente algo húmido e quente a escorrer-lhe pelo peito. É sangue que esguicha de três buracos de bala. Os buracos que deviam de estar no peito do Alvo. 

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editado por B. T. Estanqueiro às 09:57
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06
Fev 09

O céu parecia desabar naquele fim de tarde, tal era a torrente. Teresa, sentada no autocarro que a levava para casa, olhava pela janela com o mesmo desalento com que era premiada pelo cenário do outro lado do vidro. Sentia-se dissolver, aquosa como a chuva que escorria pelo para-brisas.

    Olhou o relógio de pulso; já passavam das sete e meia. Teresa pensou no que iria preparar para o jantar, que seria tomado a sós, em frente à televisão, enquanto esta vomita histórias irreais sobre famílias incoerentemente problemáticas e felizes.

    Não costumava andar de autocarro, mas tivera de deixar o seu Mini S Cooper na oficina para uma renovação completa do sistema de travagem. Teresa era advogada empresarial e dinheiro, ou a sua falta, nunca fora um problema.

    Teresa é bonita, elegante, tem uma casa fantástica, uma carreira de sonho e, até algumas horas atrás, um carro que gritava estilo. Teresa tem tudo. E no entanto, olhava pela janela, com a garganta a arder da vontade de chorar, para a água que escorria pelas valetas, a água que era Teresa, em que ninguém notava. Apenas mais um riacho de chuva.

    Saiu na paragem seguinte. Como não tinha guarda-chuva, em poucos minutos ficou encharcada, com a chuva a escorrer-lhe pelo rosto. Foi então que as lágrimas começaram a cair, tímidas de inicio e depois copiosamente. Teresa foi tomada por um choro furioso cortado por soluços e espasmos que lhe percorrem o corpo. No seu pranto as pernas perdem a força, e Teresa cai no passeio. Põe-se a gritar, com a força que ainda tem, a dor que a esgana. Teresa encharcada uiva e brada, chora e soluça e treme até não poder mais.

    

A chuva e o choro abrandam. As nuvens abrem-se, mostrando um Sol tímido. Teresa levanta-se e vai para casa.
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30
Jan 09

 Manuel Barroso é um homem regrado por hábitos. Levanta-se todos os dias às sete em ponto. Calça os chinelos, colocados com precisão no lugar, e dirige-se à casa-de-banho, onde inicia a sua higiene diária lavando os dentes. Seguidamente despe o pijama (que é cuidadosamente dobrado) e toma um duche rápido.

    Manuel seca-se sempre começando pela perna direita, seguindo-se a esquerda, depois o tronco, as costas e finalmente a cabeça e os braços. Depois de seco, barbeia-se. Segue-se o meticuloso ritual da vitualha após o qual, um respeitável senhor Barroso sai do quarto envergando o seu impecável Fato Cinzento.

    O pequeno-almoço, preparado pela mulher, Albertina, ainda de chinelos e robe vestido, é tomado segundo o estilo inglês, com um ovo cozido, torradas, marmelada e café.

    Às oito menos cinco, Manuel Barroso sai de casa para apanhar o autocarro das oito e sete, que o leva, por entre vilas e lugarejos, em direcção à cidade.

    Manuel adora a sua rotina. Adora a estabilidade que esta trás à sua vida e o resguardo que proporciona dum mundo que cada vez o desgosta mais.

    Certo dia, Manuel vê a sua preciosa rotina ser ameaçada. Esperava pelo autocarro na paragem quando ouviu duas senhoras comentar a supressão da carreira 251. A sua carreira. Manuel fez a viagem atormentado por imagens de manhãs diferentes nos seus mais variados pormenores. Na cidade, as suas pernas levam-no por um caminho diferente, até ao Departamento de Transportes Municipais da Câmara.

    “Bom dia. – diz Manuel - A carreira 251 vai ser suprimida?”

    “Sim.” – responde-lhe a atarefada jovem por trás da secretária, sem o olhar.

    “Não podem… é a minha carreira. É…” Manuel sente-se sufocar, tenta chegar à gravata, mas os dedos perderam a força. Sente uma dor terrível no braço e colapsa no chão de coração partido.

publicado às 14:11
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23
Jan 09

António, sentado no borralho, comia a janta do pobre, sopa e broa, não por necessidade mas por avareza, já que tinha um gordo maço de notas enterrado, ao lado da oliveira, dentro de um tacho. A divisão era iluminada pela fogueira. António só ligava a luz aos domingos, para poupar na conta da electricidade. Olhava o fogo enquanto comia. Lá fora o nevoeiro, espesso como natas, ameaçava infiltrar-se pelas frestas da janela e arrefecer-lhe a casa. Acabou o copo de vinho tinto e deitou mais uma cavaca à fogueira. Estendeu uma esteira à beira do borralho e ai se deitou aquecido pelo fogo.

    Acorda sobressaltado antes de amanhecer. Sonhara que alguém o olhava através da janela da cozinha, vindo do nevoeiro. António está com frio, já que da fogueira moribunda pouco calor se liberta. Levanta-se e recolhe as brasas escondidas por entre as cinzas. Olha pelo canto do olho para a janela, como que a confirmar que o sonho já tinha terminado. O sol começara a raiar, a sua luz ténue difundida pelo nevoeiro tornava-o menos desconsolado. António chega-se à janela. O coração ainda lhe pesa do sonho e agora começa a ser apossado pelas memórias da mulher. Foi a sua desgraça casar-se com uma mulher assim, que só gastava. Mas livrou-se dela a tempo.

    António assim fica, preso no passado, até ser despertado por um vulto no nevoeiro. Sai de casa disparado convencido que lhe tinham roubado o dinheiro. Corre atrás do vulto gritando impropérios. Aos seus ouvidos chegam-lhe gargalhadas e risinhos.

    “Estão todos contra mim. Todos! Tudo atrás do meu dinheiro!”

    

António, cego pela avareza, corre atrás de um vulto no nevoeiro. Corre até cair da mesma falésia de onde empurrara o irmão, a esposa e um vizinho. Matou-os por dinheiro, e por dinheiro morre António também. 
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16
Jan 09

   Sete e meia, o despertador toca e Manuel levanta-se, ensonado depois de uma noitada ao computador a terminar o projecto que, se bem sucedido, poderá conduzir a uma promoção, um escritório maior e ao televisor LCD da SAMSUNG que tem andado a namorar há meses. Liga o portátil para consultar o email da empresa e descobre que a reunião foi mudada para as nove da manhã.

   “Filho da mãe do gajo!”

   O filho da mãe em questão era o João Paulo, que andava a tentar lixar-lhe a vida desde que ele começara a trabalhar na empresa.

   Manuel arranja-se à pressa e sai de casa a correr, com um croissant na boca. Está tão stressado que esbarra com o vizinho do 3ºC, um velho reformado e enlouquecido por quem nutria um misto de pena e repulsa. Os olhos do velho focam-se em Manuel quando este se preparava para lhe dar os bons dias, e repentinamente o velho pula em frente, agarra-lhe os ombros e desata a gritar:

   “O fim do mundo… é o fim do mundo! Ele vem ai! Ele vem ai e traz consigo o fogo da eterna danação!”

   Manuel conseguiu com alguma dificuldade livrar-se do velho. Estava danado, pois não só tinha ficado sem pequeno-almoço mas também tinha-se atrasado ainda mais. Corre para o carro e arranca a toda a velocidade em direcção à via rápida que o levaria para fora da cidade. Meia hora depois, Manuel chega à publicitária onde trabalha. Tinha menos de dez minutos para tirar um café na máquina e seguir para a sala de reuniões. Tempo de sobra para apreciar o belo dia que se estava a compor. Manuel olha para o céu e vê o meteoro flamejante que viaja a 72 Km/s na sua direcção. Menos de um segundo depois Manuel morre.

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09
Jan 09

Era uma vez uma batata que se tornou consciente. Estava enterrada com as outras  batatas quando a consciência a tomou de assalto, e disse:

   “Merda, tenho medo do escuro!”

   Passaram-se dias de pesadelo para a Batata Consciente. Descobriu que não só tinha medo do escuro como também a aterrorizava o raspar da terra e o regougar dos anelídeos que dela se alimentavam. Era demais para uma simples batata! Uma semana depois de ganhar consciência, começou a contemplar o suicídio como a sua única saída.

   Felizmente tinha chegado a altura da colheita e a nossa heroína foi salva de um destino pior que a morte, o da inutilidade. A Batata Consciente foi levada, encaixotada entre centenas de outras batatas, até à central de processamento de tubérculos.

   Estava cega. Acontecera pouco depois de ter sido desenterrada por causa da intensidade da luz. Via apenas uma mancha branca. Descobriu que também tinha medo da luz! Pensou que estava condenada a viver entre medos e que esse tipo de vida não era vida nenhuma, mas uma tortura auto infligida. Então decidiu enfrentar o Medo!

   A camioneta chega ao ponto de descarga e em alguns segundos despeja uma tonelada de batatas ainda enfarinhadas em terra seca. Os tubérculos seguem pela passadeira rolante, onde são lavados, descascados, cortados em lascas finas, fritos em óleo, temperadas com aromatizantes artificiais e sal e finalmente embaladas.

   A Batata Consciente desconhece todo este processo. Segue na passadeira que a levará a uma morte precoce, sem medos, elevada pela coragem recém-adquirida. Mais tarde, descarnada, semi-inconsciente de dor, a Batata depara-se com as lâminas que a vão cortar em finas fatias, e grita:

   “Nada me derrubará!” 

   * 

   

Um pacote de batatas fritas é aberto e alguém se alimenta de Coragem e Percepção. Infelizmente estes são ignorados. Afinal era só uma batata!


28
Nov 08

Estava afastado do grupo quando sentiu o cheiro do predador no vento. Olhou à sua volta sub-repticiamente, mas não conseguiu vê-lo. Entretanto, o cheiro tornou-se mais forte, mais focado. Vinha de várias direcções. Todo o bando o vinha caçar. Sentiu os pelos a eriçarem-se pela espinha e o estômago gelar.

Já observava a presa há algum tempo. Estava nervosa, pois era a sua vez de iniciar a caçada. A besta listada é quatro vezes maior que ela e pode muito facilmente partir-lhe o pescoço. O vento traz-lhe o cheiro a medo da presa, quente e metálico. Está na hora.

A caçada começa com um salto da zebra, que em pânico se arremessa contra a leoa. Esta, saudável e experiente, desvia-se dos cascos do animal ao mesmo tempo que se propulsiona para a frente. Ferra as suas garras no pescoço teso da zebra e morde-lhe a garganta. O animal depressa perde a força nas pernas e cai sobre o peso das três leoas que entretanto se juntaram à primeira na acção.

O cheiro do sangue era inebriante e depressa se viu no meio de um frenético festim com os restantes membros do bando. A carne era fresca, doce e quente. A caçada tinha sido um sucesso. Estava feliz.

Esperavam que os gatos amarelos acabassem de se empanturrar com a besta listada. A estação tinha sido generosa e os restos eram abundantes, por isso não estavam preocupados. No entanto mantinham alguma distância do bando para que não parecesse que estavam esfomeados.

Voara de longe. A carcaça já tinha alguns dias e dela emanava o cheiro virulento da putrefacção. Restavam pequenos pedaços de pele e alguns ossos. Um festim.

Chega a vez do solo se alimentar. Serve-se dos restos mais básicos, os minerais que mais tarde vão, com o Sol, sustentar a erva.

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14
Nov 08

Paulo foi acordado a meio da noite por um leve restolhar, tão leve que por momentos não conseguiu decidir-se se tinha sido real ou se o tinha sonhado. Pouco depois, voltou a ouvi-lo, desta vez mais alto e real. Paulo abriu os olhos, e ergueu a cabeça. O quarto, vazio, estava semi-iluminado pela luz dos candeeiros da rua que lhe entrava pela janela. O restolhar voltou a soar, desta vez um pouco mais alto. Parecia-se com um molho de correntes de ferro enferrujadas a serem arrastadas por um chão de pedra no fim de um longo corredor, e estava a aproximar-se. Paulo sentou-se na cama e tentou perceber de onde vinha o barulho ou que criatura o estaria a produzir. O restolhar parou por uns instantes, deixando Paulo imerso em silêncio e confusão. Quando recomeçou, vindo da cabeceira da cama, era tão poderoso que engoliu todos os sons que lhe entravam pela janela com a pouca luz. Devagar, com medo a queimar-lhe o peito, Paulo virou-se nessa direcção.

A cabeceira, um banco de madeira a suportar um despertador digital e um candeeiro de secretária, continuava na mesma, inanimada. Mas a sua sombra, que se projectava pelo chão e na parede, estava… diferente. Paulo demorou algum tempo a perceber porquê. A sombra estava muito mais escura, de um negro líquido, como o alcatrão. Paulo não resistiu a tocar-lhe. A sombra agarrou-se-lhe à ponta dos dedos, gelando-os, e começou a cobrir-lhe a mão e depois o braço, o tronco e as pernas e a cabeça e finalmente Paulo estava coberto por aquela sombra, aquela escuridão, que o gelava.

 

Amanhece, a sombra desfaz-se, deixando o corpo gelado de Paulo estendido na cama. Ao acordar, Paulo não tem lembranças da noite anterior, mas a escuridão que o tomou, essa continuará para sempre consigo.

publicado às 19:35
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07
Nov 08

Rafael conseguira chegar onde mais ninguém chegara antes dele (e possivelmente depois dele!): à ultima pergunta do concurso da TV “Quem Quer Ser Estupidamente Rico?”. Entre ele e uma pipa de massa estava apenas uma perguntinha. Já tinha esgotado todas as ajudas disponíveis, por isso ganhar ou perder estava inteiramente nas suas mãos. Rafael sentia a pressão da responsabilidade a comprimir-lhe os rins. O público fervia de antecipação na plateia e Mariana, a sua namorada, choramingava para um lenço de papel.

Tinha sido uma tarde esgotante de gravações e Rafael começava a sentir a falta de açúcar no sangue. Rafael naquele momento sentia tudo, o zunido do ar condicionado, o suor que lhe colava o rabo ao forro de napa do banco, que por sua vez era incrivelmente desconfortável, e fazia-lhe doer o rabo e as costas, um formigueiro que lhe crescia pelas pernas acima (provavelmente por causa da porcaria do banco!) e os olhos da namorada a queimar-lhe as costas com a promessa de passarem as férias a deambular por Nova Iorque.

Raios parta o Apresentador que nunca mais chama a pergunta!” pensou Rafael, que se começava a cansar da lenga-lenga incessante sobre o que faria ele com o dinheiro, se o ganhasse claro está!

Rafael! – começou o Apresentador – para poder ganhar o concurso “Quem Quer Ser Estupidamente Rico?” e levar para casa cem mil euros tem de responder a esta pergunta.

Finalmente!”

Rafael, para cem mil euros, diga-me: No blog “Palavras Contadas”, qual é a história que descreve a sua participação final neste programa?

Mas que merda de pergunta é esta?” Rafael sentia-se ultrajado pela injustiça e estupidez da situação “Filhos da mãe! P…”.

Inesperadamente, Rafael sentiu-se como se estivesse entre dois espelhos, a ver uma corrente de reflexos que se perdia no infinito. Então respondeu:

Ahhh… Centésima?!?


31
Out 08

Estava sentado na paragem, à espera do autocarro que o levaria a casa, fazia já meia hora, quando um grupo de amigos o chamou para ir beber uma cerveja no bar em frente.

O placar electrónico com as estimativas de chegada não estava a funcionar, mas mesmo assim decidiu-se a segui-los, já que conseguia ver a paragem da janela do café.

No interior do café a temperatura era agradável, por isso deixou-se relaxar, e ficou na conversa com os amigos, enquanto comia amendoins salgados, e mantinha um olho na paragem a ver se o autocarro aparecia.

De tempos a tempos um autocarro chegava à paragem e um dos seus amigos despedia-se do grupo e corria a apanha-lo. Um a um, a todos viu apanhar um autocarro, mas o seu continuava sem surgir. Resolveu ficar pelo café, apesar de estar sozinho, pois o fim de tarde era frio e ventoso. Começou a conversar com o dono do bar e depressa fez amizade com ele e com os restantes patronos.

No entanto estes também acabaram por se ir embora, um a um, de autocarro. Houve quem se oferecesse para o acompanhar a casa, mas recusou dizendo que esperaria pelo seu autocarro. O café ficou vazio e fechou, e por isso teve voltar à paragem e ai esperar pelo seu autocarro. Pouco depois, chegaram outras pessoas à paragem, mas também estas se foram embora, uma a uma, de autocarro.

Acabou por ficar totalmente só na paragem, à espera do seu autocarro, um autocarro que tardava em chegar. Começou a ficar angustiado e triste com a injustiça da sua situação, pois todos tinham apanhado os seus autocarros, menos ele.

Mas não havia nada que ele pudesse fazer. Apenas esperar, que o seu autocarro um dia chegasse e o levasse a casa.

publicado às 00:01
editado por B. T. Estanqueiro às 10:21
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