De Segunda a Sexta, 300 palavras por dia.

15
Jun 09

Sempre que conseguia acordar cedo e ir para a rua desfrutar do nascer do sol, lá estava ela, a Velha, a caminhar curvada sob o peso dos seus muitos anos, com um balde de laranjas, cada ano mais vazio e com um pau comprido na outra mão.
O que estava bem preso numa das pontas deste pau sempre me fascinou: Parecia um vaso de flores, feito de lata de flandres, apenas cortado na base o suficiente para encaixar sob pressão no pau e, na parte superior, recortado em triângulos pontiagudos. Assim, sempre que a Velha queria apanhar alguma laranja mais alta, bastava-lhe estender o pau, colocar a laranja no vaso e rodá-lo, até partir o pé da fruta e colocá-la na boca escancarada do balde faminto.
Conheci a Velha quando fui morar naquela aldeia. De todas as vezes que me cruzei com ela, me interroguei com o que faria a tantas laranjas. Numa manhã de nevoeiro, em pleno tempo das laranjas, esperei por ela e segui-a: E ela foi pelos eitos fora, quintais adentro, visitar cada laranjeira da terra. Apenas apanhava duas ou três laranjas, das mais altas, aquelas onde ninguém chegava, mas eram mais doces, pois apanhavam mais sol.
A Velha roubava as laranjas! Andei uns tempos a magicar no assunto, mas mais ninguém se preocupava com o assunto e como a vida se encarregou de ocupar a minha mente com assuntos prementes, nunca mais pensei nisso.
Então, a Morte visitou a Velha. Ninguém a chorou, pois a solidão era a sua família chegada. Talvez os donos das laranjeiras festejassem secretamente, se alguma vez tivessem desconfiado das visitas dela.
Nessa semana, no mercado da Vila, outra Velha que vendia laranjas abeirou-se e perguntou: “Então, a Ti’Amélia lá morreu, não é? Que ricas laranjas ela me trazia. Devia ter cá um laranjal!...”

publicado às 00:01

08
Jun 09

Sem mais nada do que fazer para ocupar os seus serões, costumava conversar on-line, através do MSN. Aceitava sem preocupações as pessoas que se propunham para amigas, independentemente do género. Foi tomar café com alguns. Poucas (e ainda menos, poucos) ficaram amigas.
Mas qualquer coisa nela acordou ao conversar horas infindas com aquele homem cinquentão, solitário embora casado. Talvez tenha sido o seu instinto maternal, se isso existe, tantas vezes duvidou. Talvez tenha apenas sido compaixão.
E das conversas banais do início passaram a ter tórridos fins de serão tão afastados na distância, mas tão perto num click do teclado ou do rato…
Ele queixava-se da esposa e ela que tanta vez ouvira essas mesmas queixas noutros homens e não acreditara, achava-as, tão plausíveis, nele. Estava farta de casos fortuitos e de relações frustradas e, inexplicavelmente, nele, isso parecia-lhe impossível de acontecer: tinha a certeza que se iriam fundir num só.
Contra os seus princípios fora com ele. Primeiro um Café. Depois uma Sala, um leitor de CD, uma bela banda sonora. Dançara para ele. Conseguira sentir a chama do desejo dele queimar-lhe a pele, sentira a carícia do olhar dele nas suas mamas. Ele puxou-a para o quarto e ela deixou-se ir.
Sentiu o desejo dele crescer ao seu toque. Sentiu o seu tremor na sua boca. Viu-se no olhar dele. Sentiu-se no toque dele. Suplicou-lhe que se fundissem.
Ela viu-lhe o desejo descontrolado no modo em que ele colocava o preservativo e sentiu na barriga o calor da frustração do orgasmo mais intenso que alguma vez tinha visto um homem ter.
Sorriu para ele e assegurou-lhe que na próxima iria tudo correr bem, limparam-se e dormiram enroscados, tentando não pensar em quão injusta a vida às vezes pode ser.

publicado às 00:01

25
Mai 09

Cinquentão, bem parecido, a sua vida sexual andava pela “hora de morte”, como se queixava aos amigos: “Devagarinho ou mesmo parada!”.

Passavam-se tempos, uma eternidade para si, em que não tinha o prazer de fazer amor com a sua mulher, ou porque lhe doía a cabeça, raios partam as mulheres com as suas dores de cabeça ou porque estava cansadas, pois sim, cansado também andava ele, física e emocionalmente, cansado de tantas desculpas que a sua mulher arranjava para “não cumprir a sua obrigação de esposa” e ele que tanto queria dar-lhe a assistência devida ao homem do casal…

Nos encontros virtuais do MSN conheceu uma mulher divorciada, quarenta anos, embora aparentasse uma década a menos. Palavra puxa palavra, duna acima, duna abaixo, uma mão lava a outra, as duas lavam a cara, em menos que nada, começaram a falar de sexo.

Ele queixava-se da indiferença da esposa.

Ela queixava-se da falta de mimo ou atenção ou amor. Queixava-se também de ter tido umas quantas experiências sexuais fracassadas, de algumas erecções falhadas, outras rápidas de mais, que terminavam antes de começarem.

Ela não queria envolver-se com um homem casado. Não queria ser um vértice de um triângulo escaleno, de certeza. Mas ele convenceu-a. Ela foi ter com ele.

Era de facto, muito sensual. Dançou para ele. O corpo dela tocava e roçava no dele, deixando-o louco. Ele começou a ficar fora de si. Mas um pensamento invadiu-o lhe a mente: “Não posso falhar. Não posso falhar! Não posso falhar!!... Vai ser fabuloso, não posso falhar!!!”

Quando estava a colocar o preservativo, descontrolou-se e teve o orgasmo mais intenso e frustrante da sua vida!

publicado às 09:27

27
Abr 09

“Se não estás bem em Portugal, porque não voltas para Angola?”, pensou ela exasperada, farta de ouvir as queixas daquela aluna: todos se reuniam num complô contra ela, que ninguém a ajuda, grande injustiça, há emigrantes em todo o mundo e ela, como emigrante merece todo o respeito e ninguém lho mostra, em Angola todos respeitam os portugueses só aqui ninguém quer saber dela.

“O facto de comeres três refeições dadas pela Escola não interessa…”, outro pensamento perverso cruza a mente da professora.

Ela não merecera o dois que a professora lhe dera, ela que passava tudo do quadro, não era como aqueles colegas que dormiam na aula.

“Quem me dera que dormisses, nem que fosse um bocadinho”, pensou a professora, triste, tão negra por dentro como a cor da pele daquela aluna.

E o rol das queixas dela continuava. A professora tinha-lhe ódio e raiva, já tinha desabafado com uma amiga, que partilhava da sua opinião: a professora é racista. E ir para a rua?, ela ir para a rua?, que injustiça, ela compreendia o professor de Biologia que a tinha posto na rua, porque ela tinha-se enervado e tinha batido com uma cadeira na mesa, mas na aula de Matemática? Apenas tinha levantado a voz à professora, então, onde se vira, um professor mandar calar um aluno?, onde se vira um professor gritar a uma aluna: Cala-te!, ainda por cima a ela, não tem nada que mostrar respeito, quando a professora a tinha desrespeitado primeiro.

“Bolas para isto, que esta miúda não entende nada… É preta, mas os outros dois foram dados a brancos, a outra preta da turma teve 4, o aluno que mais vezes foi para a rua é branco… Sou casada com um preto. Agora sou despedida porque sou racista?”

Todos concordaram com a aluna e a professora, sem defesa, foi despedida.

publicado às 00:01

20
Abr 09

Ela pensa que eu não sou inteligente. Eu sei. Ela diz isso muitas vezes. Eu finjo que não percebo, mas dói. Dói muito. Uma das vezes, ela disse isso ao médico, que olhou para mim e se apercebeu logo que ela me tinha magoado e lhe disse: ”Oh, não é nada. Isso é o que a senhora pensa, mas está enganada!” e piscou-me o olho sem ela ver.

Eu adoro-a na mesma. Adoro-a mesmo. Amo-a mais que a minha própria vida. Era capaz de morrer por ela. Sem pensar duas vezes. Ela é a minha Adorada!

Ontem, eles deixaram-me sozinha a dormir e foram divertir-se sozinhos. Fiquei triste mas já estou habituada. Os primeiros a chegar foram os miúdos. Entraram e foram para os quartos dormir, não vieram dizer-me olá, nem me desejar Boa Noite. Mais uma vez, o hábito é quase uma segunda pele.

Mais tarde, ouvi o portão a abrir e Ela a rir. Enfim chegava a casa. Subiu as escadas a rir, abriu a porta da cozinha onde eu a esperava ansiosa, baixou-se para me cumprimentar e caiu, estatelada no chão. Caiu e não se levantou. Vomitou e ficou deitada com a cara em cima do vomitado. Eu chamei-a. Abanei-a. E nada. Ela não respondia e não se mexia. Entrei em pânico: a minha Adorada não estava bem, podia morrer ali se eu não agisse.

Desatei a ladrar o mais alto que pude. Ladrei, ladrei, ladrei. Arranhei a porta. Voltei a ladrar. Ladrei mais uma vez, e outra, e outra ainda. Até que apareceu a Senhora Mais Velha, a mãe da minha Adorada. Que chamou o Senhor Mais Velho. E os dois trataram da filha. Levantaram-na do chão e deitaram-na na cama com cuidado e chamaram a médica. A minha Adorada não ia morrer.

Então, voltei a adormecer tranquila.

publicado às 10:59

13
Abr 09

Joana andava em fisioterapia há já algum tempo. Inicialmente notou bastantes melhorias, mas ultimamente recaíra. Talvez o stress em que andava ou a ânsia que sentia impedissem que os tratamentos resultassem. A mudança de terapeuta não a preocupava. Antes era paciente de um senhor experiente e com mãos sábias. Agora, era um homem novo, talvez com 25 anos, no máximo, recém-licenciado, sem muita experiência mas com bastante empenho. Ela entregava-se nas suas mãos sem qualquer receio.

Além de ser empenhado, Paulo era simpático e bem humorado, sempre com um comentário prazeroso a partilhar.

A nuvem que tapou o Sol daquela relação simbiótica de terapeuta-paciente surgiu quando ele descobriu que Joana era professora de Matemática. O equilíbrio entre eles perdeu-se. Paulo passou a fazer os tratamentos em absoluto silêncio e as suas massagens denotavam falta de qualquer empenho. Joana ficou intrigada, não percebia a razão de tão radical mudança.

Ao que parece, Paulo teve chatices com a sua professora de Matemática no seu 12º ano de escolaridade e odiava-a profundamente. Joana foi o canal de saída do seu ódio. Por vezes os seus olhares cruzavam-se e ela assustava-se com o lampejo de ódio que ele deixava escapar.

Ficou muito pior do ombro. Deixou de conseguir levantar o braço. A força das mãos falhava-lhe.

Joana falou com ele, explicou-lhe que estava a ficar pior, que o seu tratamento não estava a fazer o efeito desejado. Paulo ripostou:

-Está a fazer o efeito desejado, sim senhora! Você está cheia de dores e ainda vai ficar pior. Vai pagar aqui todo o mal que as professoras de Matemática fazem aos alunos, ao redor do mundo! Odeiúúúú a setoura!

Joana fez queixa dele aos donos da Clínica de Recuperação Ficamos Curados Depressa mas ninguém acreditou na sua palavra, porque…

Era dia 1 de Abril!


06
Abr 09

Bom, era a sua primeira saída sozinha. Sozinha-Sozinha. Não aquele Sozinha-Mas Com Companhia Masculina Mas Que Não Pode Dizer a Ninguém. Na sua mente, esta ideia de fazer uma pequena incursão nas viagens solitárias marinava já há algum tempo. Tratava-se, parecia-lhe, de uma espécie de prova pessoal que tinha que ultrapassar, mais uns limites a testar, uma barreira a derrubar.

Surgindo a oportunidade agora, decidiu agarrá-la com unhas e dentes: Escolheu o destino e o itinerário; decidiu onde pernoitar; magicou no que fará nas alturas em que não estará em cima da sua mota.

Hoje, na véspera da saída, acordou com umas borboletas na barriga: Medo. Ela está com medo da viagem. Tenta racionalizá-lo. Procura nas suas memórias as viagens que fez sem companhia adulta: uns dias no Algarve com a sua sobrinha de catorze anitos, no Verão de 2000 (esta memória abre-lhe um sorriso rasgado, pois foi nessa altura que a sua sobrinha bebeu pela primeira vez uma bebida alcóolica, ficou com as pernas bambas, uma alegria inexplicável e uma vontade de rir descontrolada), as duas viagens à Serra da Estrela com os seus filhos, com a intenção declarada de esquiar (a primeira gorada nessa intenção, mas valendo a pena pela neve intensa que caía e pela alegria espelhada no rosto dos filhos e de si própria) e …

Não viajou sozinha mais nenhuma vez…

Por isso, não pode ter medo desta vez: Preparou o pijama, a muda de roupa, o Moleskine onde vai escrever ou desenhar o que lhe for na alma, a máquina fotográfica, um pequeno farnel, verificou a mota e tranquilizou-se.

Jantou com a família e foi dormir.

De manhã, à hora prevista, levantou-se, preparou-se, ligou o GPS, marcou a rota e lá foi ela, montada na mota, em mais uma aventura da sua vida.

publicado às 00:01

30
Mar 09

No último piso do Centro Comercial, sentada num sofá de napa azul índigo, entretida com o Novo Livro que acabara de comprar na livraria do piso de baixo e a aproveitar a luz natural que espraiava da clarabóia, estava à espera dos amigos para ir almoçar.

Um movimento anormal, apenas adivinhado ao fundo do seu campo de visão, chamou a sua atenção: na clarabóia, um vulto mexia-se. Um homem sentado numa tábua presa por dois cabos seguros a um principal, preso num local invisível, munido de um balde e de uma escova para limpar vidros, fazia acrobacias impensáveis a 50 metros de altura.

Da atenção indivisa ao Novo Livro, passou a estar atenta ao Sr. Lavador dos Vidros da Clarabóia do Centro Comercial. A cada passagem da escova, o sujo desaparecia e a sombra da água a escorrer criava imagens que lhe alimentavam a imaginação. Absorta nestes desenhos e pelos malabarismos do Sr. Lavador de Vidros, que se esticava, sentado na ponta da tábua, para chegar ao ponto mais distante do vidro, quase que ia morrendo de susto quando ouviu um apito de alarme no lado de dentro do Centro Comercial.

Um homem baixo, quarentão, vítima de Trissomia 21 divertia-se a assobiar o aviso de marcha-atrás da maquinaria pesada. A diversão dele passou a ser a sua e ela saboreou a alegria do Homem Apito durante uns minutos.

Entretanto, olhou para cima e o Sr. Lavador de Vidros desaparecera: a tábua baloiçava pendurada…

Aflita, olhou à sua volta, procurando olhares cúmplices do seu, mas apenas viu o olhar vazio dos lojistas desocupados.

Ia chamar socorro e…

- Aí estás! - disse um colega. - Já tocou e tu a inventares histórias como de costume…

E ela foi, mais uma vez, dar uma aula na Escola Velha e Cinzenta, com vidros sujos e sem clarabóias.

publicado às 00:01

23
Mar 09

Era uma vez um Sapo que pensava que era um Boi.
E, de facto, o Sapo conseguira inchar de tal modo que enganava qualquer um. Havia animais que morreriam sob tortura, jurando que o Sapo era mesmo um Boi.
A Gata, perdida de amores pelo Sapo que, embora visse um sapo, pois como qualquer felino, tinha uma visão apuradíssima, teimava em acreditar que estava na presença dum boi.
Essa Gata dedicou parte da sua vida e da sua energia vital a cuidar dele. Mas, o Sapo, pensando que era o maior Boi da Quinta, esqueceu-se dela e dos Patitos que prometera cuidar, como dos seus próprios Girinos se tratassem.
E assim se passou algum tempo. A Gata cuidava dos Patitos e do seu adorado Sapo/Boi e todos o veneravam quando lhes retribuía alguma atenção, o que era raro. A sua importância era tal, os seus assuntos tão delicados, que estar com aquela Gata, lhe parecia um desperdício do seu tão requisitado tempo ou atenção. A adoração da Gata começou a esfriar.
Até que um dia, a Gata olhou para o Sapo e já não viu o Boi. Tinha sido enganada pela sua cega adoração. Ainda vou a tempo, pensou, com este sapo não viverei mais.
Assim, agarrou nos Patitos e mudou de Quinta. O Sapo foi fazer queixa dela. Dirigiu-se, indignado e ofendido, à casa do Mocho, animal sábio e capaz de resolver conflitos. Começou a gritar, que injustiça tremenda lhe estavam a fazer, que nunca tal se tinha visto, uma Gata abandonar um Boi.
O Mocho ouviu sereno e, no fim da gritaria, limitou-se a estender a pata e com uma unha furar a pele do Sapo. O silvo do ar a sair lentamente ouviu-se com nitidez e todos puderam ver que afinal aquele Sapo era mesmo um sapo.

publicado às 00:01

16
Mar 09

40 anos feitos. Era hoje o seu aniversário e para a ocasião, vestiu uns jeans muito justos que a favoreciam.
- Good. A exibir esse cu fantástico!, disse-lhe o seu cyberfriend (não, não disse! escreveu, aliás, pensa ela, mas nada lhe garante que não tenha sido outra pessoa a passar-se por ele, tantas vezes lhe pediu para ligar a cam, o que ele recusou, ainda não percebeu porquê, será velho?, será feio?, será uma mulher?, perguntas que lhe assaltam o espírito inquieto, mas que às quais se recusa responder, porque aquela “amizade” cyberniana é a única companhia que lhe resta, depois de ter desistido de investir nas amizades físico-reais, das pessoas que conhece, das que poderia conhecer, não quer tentar mais, sofreu desilusões suficientes para seis ou sete vidas).
E foi beber um café à esplanada Finisterra inaugurada há pouco tempo: vivam as eleições, não para termos governantes dignos e inteligentes, mas para termos festas, comida e bebidas de vez em quando e para se construírem esplanadas à beira rio, tão agradáveis nesta altura do ano, em que já não faz frio e o sol ainda não nos estorrica a pele, boa altura dos bifes virem fazer férias, não no Verão, ficam a pele que é uma vergonha, querem dizer aos amigos, ah, fui passar férias e assim, e aparecem em casa, qual lagostas suadas.
Lá bebeu o seu café solitário e pensativo, mas porque raio nos sentimos tão sós, quando temos uma família que nos ama, uns filhos que amamos, um cão que nos olha com adoração, quando apenas só nos falta um homem ou uma mulher, conforme o género ou os gostos.
Foi pagar, o dono do café olhou para o cu fantástico que ela exibia, olhou para ela, ofereceu-lhe o café e pediu-lhe o número de telemóvel.

 

publicado às 00:01

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO